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Coma melhor, não menos!

Se a restrição não é a solução, o que fazer no lugar?

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Quando a relação com a comida está difícil, a primeira reação costuma ser tentar aumentar o controle: comer menos, cortar determinados alimentos, estabelecer novas regras ou compensar aquilo que foi considerado um exagero.

 

Mas, muitas vezes, mais restrição alimenta justamente o ciclo que queremos interromper.

 

Quanto mais rígidas são as regras, maior pode ser a sensação de privação. A comida passa a ocupar mais espaço nos pensamentos e, quando uma regra é quebrada, pode surgir aquela sensação conhecida de: “já que saí da dieta, agora tanto faz”.

 

Depois vêm a culpa e a promessa de compensar. Começa-se uma nova restrição e o ciclo se repete.

Sair desse movimento não significa deixar de cuidar da alimentação ou simplesmente “comer tudo o que quiser”.

 

Significa construir um cuidado diferente.

 

É possível melhorar a qualidade da alimentação, aumentar a variedade, organizar melhor as refeições e atender às necessidades nutricionais sem transformar determinados alimentos em inimigos ou cada escolha alimentar em uma prova de autocontrole.

 

Também significa reaprender a perceber o próprio corpo. Reconhecer fome e saciedade, observar o que aumenta a vulnerabilidade para comer de forma impulsiva, compreender o papel das emoções e identificar as regras e pensamentos que tornam a alimentação mais difícil.

 

E existe uma diferença importante entre restrição e escolha.

 

Você pode decidir comer determinado alimento com menor frequência porque percebe que isso faz sentido para sua saúde, suas necessidades ou seus objetivos. Isso é diferente de acreditar que não pode comê-lo, sentir medo quando ele está disponível e culpa quando decide consumi-lo.

 

Flexibilidade não é falta de cuidado.

 

Às vezes, cuidar melhor da alimentação começa justamente quando deixamos de tentar controlá-la pela culpa, pelo medo e pela proibição.

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O objetivo não é comer “perfeitamente”. É construir uma forma de se alimentar que cuide da sua saúde e, ao mesmo tempo, possa existir na sua vida.

 

Porque uma mudança que precisa de guerra constante para continuar talvez precise ser repensada, não intensificada.

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